eu amei, eu chorei

"Eu Amei, Eu Chorei"

Eu amei-te, mais do que tudo na vida desejei-te
Passado o choque foste incondicionalmente aceite
Dei pulos de alegria, dei graças a Deus
Senti-me abençoado partilhei a bênção com os meus
Fiz planos para o futuro, agora vou ser pai
Sonhei sonhos acordado como se estivesse high
Vi-te a sorrir, a tua cara era a minha
Sei que pareço frio mas vou ser um pai galinha
Sonhei em dar-te tudo aquilo que eu nunca tive
Ainda nem chegaste (mas) o meu amor por ti já vive
De mãos dadas a suar, os gritos de felicidade
O primeiro choro confirma o milagre da maternidade
Imaginei as bochechas na tua carinha de bebé
Não acredito em nada mas desta vez tive fé
Tão real que quase senti o teu cheiro
Quis ser teu melhor amigo, pai e companheiro

 

Dei-te nomes de menino, dei-te nomes de menina
Imaginei-me a adormecer-te na tua cama pequenina
A ideia fascina, viciei-me em ti tipo nicotina
Vi a mãe, vi a relva, vi a vivenda com a piscina
A máquina de filmar para captar os primeiros passos
Cobrir a tua vida de beijinhos e abraços
Ultrapassar fracassos, por ti tudo faz sentido
Deste-me forças que não tinha como se tivesse renascido
Vi o teu primeiro dente, a fralda suja de cocó
Imagino o verde castanho, cor dos olhos da tua avó
Vi o Sol a brilhar na tua pele de chocolate
Vi a palmadinha no rabo por teres feito algum disparate
Vi a vela, vi o bolo, a festa com as crianças
Vi estranhos comentar as nossas semelhanças
Vi a pança das panças, na barriga descansas
À noite na cama, a tua mãe pergunta por alianças

 

Deixa-me dizer-te que a vida é imperfeita
Erramos por sermos humanos mas três esquerdas dão uma direita
Vi o primeiro dia de aulas, a mochila nas costas
Depois do TPC, os bonecos que tanto gostas
O Noddy, o Pokemon, o Mickey e o Pateta
O triciclo para começar, depois vem a bicicleta
O sarampo e a varicela, o xarope para a tosse
Contar-te que nem gosto que me chamem Boss
Imagino as perguntas que tu vais fazer
O que vou responder, vou ensinar e aprender
Vivemos tempos difíceis, o mundo não é cor-de-rosa
Às vezes esquecemo-nos o quão a vida é valiosa
Chorei por ouvir o que não queria, o que mais temia
A vida continua e a tua virá um dia
Palavras de nada valem, espero que aprecies o gesto
Espero por ti sem pressas, depois conto-te o resto

Ficha Técnica:

Letra: AC Firmino
Música: AC Firmino

Produzido por AC para Mandachuva, Lda

Programações: AC
Arranjos, Orquestração e Piano Acústico - Tiago Machado
Primeiro Violino - Pedro Pacheco dos Santos
Segundo Violino - António Anjos
Viola - Jorge Teixeira
Violoncelo - Jeremy Lake
Scratch - DJ Bernas

Gravado por AC no Ginásio, Lisboa e no Estúdio Praça das Flores, Lisboa por Artur David e Luís Delgado
Misturado por AC e Jorge Cervantes no Estúdio Andinos, Paço D'Arcos